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Financiamento coletivo é estratégia de startups

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São Paulo — O que você faria se tivesse R$ 1 milhão nas mãos? Para a startup brasileira Moccato, a resposta pode parecer pouco óbvia: iniciar uma campanha de financiamento coletivo. Após receber a quantia milionária em sua primeira rodada de investimentos, a empresa – que tem como negócio um clube de assinatura mensal de cápsulas de café expresso – iniciou, em maio de 2015, um projeto de crowdfunding no site Kickante.

O objetivo não era viabilizar a operação da empresa – razão que costuma motivar campanhas desse tipo. “Queríamos fazer uma campanha de marketing, testar nossas ideias e saber o que o público desejava”, explica Ian Petersen, gerente de operações da Moccato.

O caso da Moccato não é a regra, mas já deixa de ser exceção. Surgido no final da década passada como sinônimo de “vaquinha”, o financiamento coletivo está sendo cada vez mais usado por empresas iniciantes brasileiras para metas que vão além da simples colaboração para criar algo novo.

Entre os principais motivos para fazer um crowdfunding “maduro” estão a chance de fazer pesquisas de mercado, testar ideias, fazer uma pré-venda ou até mesmo atrair investidores.

Foi o que aconteceu com a Moccato. Ao pedir R$ 10 mil para viabilizar a primeira leva de cápsulas de sua produção própria, a empresa levou 12 dias para alcançar a meta – ao final da campanha, ela recebeu R$ 20 mil em colaborações. “Nosso primeiro investidor tinha muitas dúvidas sobre nosso projeto. Quando viu que conquistamos público em apenas 12 dias, ele nos deu carta branca”, diz o dinamarquês Petersen, que comanda a empresa com quatro sócios.

Nos próximos meses, a empresa planeja passar por uma nova rodada de investimentos e receber pelo menos a mesma quantia. “Com o crowdfunding, temos dados para mostrar para os investidores o nosso potencial de crescimento”, diz Petersen.

Bolso cheio

O projeto da Moccato é apenas uma amostra da evolução do modelo. Segundo dados da consultoria americana Massolution, esse mercado movimentou US$ 34,4 bilhões em 2015, alta de 167% com relação a 2014. A estimativa, porém, inclui outros tipos de crowdfunding que vão além do tradicional: sozinho, o modelo de “doações e recompensas” foi responsável por US$ 5,5 bilhões no ano passado, puxado pelo sucesso de plataformas como Kickstarter e Indiegogo.

“Os primeiros projetos do Indiegogo eram feitos em garagens por pais e filhos com metas pequenas. Hoje temos startups com dinheiro, muitos empregados e bastante investimento fazendo campanhas milionárias”, explica Evan Cohen, diretor do Indiegogo.

“Essas grandes startups aproveitam o modelo para conseguir pré-vendas, formar comunidade ou chamar a atenção da imprensa.” No início de 2016, o Indiegogo anunciou um programa de incentivo para que grandes empresas usem a plataforma, dando força a uma tendência já abraçada por companhias como General Electric e a fabricante de jogos Hasbro.

Cenário

Fundada no final de 2013, a Kickante hoje é a maior plataforma de crowdfunding do País: em 2015, a empresa teve mais de 18 mil campanhas, que arrecadaram R$ 18,7 milhões, em um crescimento de 386% com relação a 2014. Em cada campanha, a empresa retém entre 12% e 17,5% dos valores arrecadados.

“Hoje, o crowdfunding é um ótimo jeito de conseguir capital de giro para empresas iniciantes, mas também serve como uma pesquisa de mercado muito barata”, diz Tahiana D’Egmont, presidente executiva da plataforma.

Já o Catarse, que nasceu em 2011, captou R$ 12,5 milhões em campanhas no ano passado, em crescimento de 15% com relação a 2014. Para 2016, a meta da empresa é de captar R$ 18 milhões, segundo o cofundador Diego Reeberg. “Quem já experimentou consegue ver o potencial da plataforma para outras finalidades.”

Para 2016, além de hospedar campanhas, o Catarse também planeja se lançar no financiamento coletivo. “Queremos provar da nossa própria comida”, brinca Reeberg, sem revelar a finalidade do projeto.

Made in Brasil

Há também quem contraria a noção de que o crowdfunding serve apenas para o primeiro produto. É o caso da Histeria Games, empresa de Juiz de Fora (MG), que faz jogos de tabuleiro. No momento, ela está em sua terceira campanha de crowdfunding, pela realização do jogo “Os Reinos de Drunagor”.

A 37 dias para o fim da arrecadação, “Reinos” já bateu sua meta inicial e arrecadou R$ 80 mil. A empresa não planeja deixar o financiamento coletivo. “A parte mais importante do crowdfunding é interagir com o público”, explica Cristianne. “Com uma campanha, conseguimos perceber se a temática, o modo de jogo e mesmo os itens que o acompanham têm aceitação dos fãs.”

A expansão internacional também tem sido outro benefício do crowdfunding. Depois de uma campanha no Catarse em 2014, que arrecadou R$ 46 mil – 161% da meta inicial -, a Vela Bikes fez no ano passado campanhas no Indiegogo e no Kickstarter para chamar a atenção fora do País.

Ao todo, 45 bicicletas elétricas foram encomendadas por US$ 1 mil cada, o que faz a empresa considerar a expansão para os EUA. Em sua campanha no Catarse, as bicicletas podiam ser reservadas por valores entre R$ 3 mil e R$ 3,2 mil. Hoje, elas são vendidas por R$ 4,9 mil. “Comprar antes é a vantagem de quem arriscou”, diz Cruz.

No entanto, é preciso ressaltar que o crowdfunding não funciona para qualquer empreendedor. Presidente executivo da aceleradora Aceleratech, Pedro Waengartner avalia que um projeto desse tipo só faz sentido se o produto oferecido tem a ver com o público que acessa esse tipo de plataforma – normalmente, jovens com muito interesse em tecnologia.

“Se seu produto for voltado a donas de casa, é bastante provável que ele não vai funcionar”, explica. Além disso, Waengartner avalia que, apesar do potencial enorme, o crowdfunding demanda muito trabalho. “Não adianta só começar uma campanha com um vídeo bonito e esperar que o financiamento venha”, explica o executivo. “Quem cria uma campanha sem ter público formado não chega a lugar nenhum.”

Fonte: exame.abril.com.br/pme/financiamento-coletivo-agora-e-estrategia-de-startups

Written by

ronald

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